Primeira mulher brasileira indicada ao Nobel de Literatura

Comemoro como se fosse com uma grande conhecida minha: Lygia Fagundes Telles é a primeira mulher brasileira a ser indicada ao Nobel de Literatura, prêmio que nenhum brasileiro ainda recebeu.

A União Brasileira de Escritores (UBE) indicou na última quarta-feira à Academia Sueca o nome de Lygia Fagundes Telles para o Prêmio. Segundo Durval de Noronha Goyos, presidente da UBE, “Lygia é a maior escritora brasileira viva e a qualidade de sua produção literária é inquestionável”. O anúncio do Nobel de Literatura deve acontecer em outubro deste ano em Estocolmo, na Suécia.

Sempre admirei a escrita da Lygia. A contestação do patriarcado, o posicionamento das personagens femininas e as sutilezas ao desnudar o que ocultamos no dia a dia, a fizeram uma de minhas autoras favoritas.

Assim, para comemorar a indicação e este grande nome da nossa Literatura, vou elencar os livros dessa autora, que considero indispensáveis, com suas respectivas sinopses.

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A ESTRUTURA DA BOLHA DE SABÃO

Os protagonistas destas histórias encontram-se, em geral, numa relação crítica com as pessoas e ambientes que os cercam. Secretos podres familiares, desenganos amorosos, vocações frustradas, o desejo extraviado, nada é confortável nessas narrativas, que alternam descrição objetiva, discurso indireto livre e fluxo de consciência.

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UM CORAÇÃO ARDENTE

Os dez contos reunidos neste livro foram publicados entre 1958 e 1981. Em “Um Coração Ardente”, um rapaz se apaixona por uma moça sem saber que ela é prostituta e, depois, tenta regenerá-la. Em “Biruta”, um menino órfão cujo único consolo e companhia é seu cão de estimação vê-se traído pela família que o adotou como uma espécie de agregado. Em “Emanuel”, o amante inventado por uma moça solitária em um mecanismo de defesa contra as zombarias das amigas acaba por ganhar existência real. “As Cartas”, por sua vez, narra o empenho de uma mulher para proteger a correspondência comprometedora de uma amiga com um político casado. Já o entrecho de “A Estrela Branca” é o transplante de olhos que devolveu a um cego a visão – mas não o controle sobre ela.

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AS MENINAS

Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso. “As Meninas” colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas.

BAILE VERDE

ANTES DO BAILE VERDE

Uma jovem se prepara para ir a um baile carnavalesco onde as fantasias devem ser todas verdes. Enquanto ela se maquia para o baile, colocando lantejoulas no saiote verde que cobre o biquíni, seu pai agoniza no quarto ao lado. Esse ambiente teatral e angustiante do conto “Antes do Baile Verde” dá a tônica do livro homônimo.

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DURANTE AQUELE ESTRANHO CHÁ

Estes textos de origens, naturezas e épocas diversas, compõem um painel de memórias de Lygia Fagundes Telles, com destaque para seus encontros e diálogos com personalidades literárias que, de um modo ou de outro, marcaram a sua formação como escritora. A autora passa em revista as conversas com Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, as visitas a Jorge Amado e Zélia Gattai, a amizade com Hilda Hilst, um diálogo com Jorge Luis Borges e uma entrevista concedida à amiga Clarice Lispector.

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Foto: Revista Claudia

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