“As outras personalidades já têm dono”

Quando comecei a me dedicar unicamente ao ofício de escrever, consumi ferozmente as obras de diversos escritores e dramaturgos. Um deles é o irlandês Oscar Wilde, cujas frases – ou as atribuídas a ele – podem ser facilmente encontradas na internet. “Be yourself; everyone else is already taken, é uma das frases que me marcaram. O livro Oscar Wilde para inquietos, de Allan Percy, traduziu a frase como “seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono.”

Para quem vive da criatividade, como eu, essa frase soa muito interessante. Num contexto onde quase todos são guiados pelos códigos de um grupo, manter-se autêntico sem medo do ridículo ou da retaliação tem seu valor. Quando sou questionada sobre como crio meus livros, sempre penso em responder coisas do tipo “sigo minha intuição na escolha das premissas”, “escrevo de forma sincera, vivenciando as cenas e sem me economizar nas emoções”, mas temo parecer clichê e dou outra resposta. A verdade verdadeira, como eu dizia quando era criança, é que me aproprio de diversas técnicas e de métodos os quais já estudei, mas a decisão sempre é pautada no meu feeling. Se ideia vai dar certo ou não, é outro problema. Afinal, que quem lê os meus livros, quer ler a Laura Conrado, não a Laura imitando Nicholas Sparks (entre outros).

Parece óbvio, mas o “pulo do gato” é cavar para dentro. Do lado de fora, está o óbvio, o saturado, o já feito… Está aquilo que é das outras pessoas. Sempre que me perco nos rumos que darei às personagens, e a mim mesma, me lembro disso: o caminho a ser trilhado é no meu interior.

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