Quando a ajuda não ajuda

Sempre fui o tipo de pessoa que recebi confidências das outras. Não que eu estimule, mas, no fim das contas, gosto de escutar e de aprender mais sobre as pessoas, e, claro, sobre mim.

Depois da publicação de Freud, Me Tira Dessa, em 2012, meu primeiro romance que me rendeu prêmios e leitores em todos país, isso “piorou”. Talvez o meu jeito de escrever seja quase uma confidência, e isso permita a aproximação dos leitores. O que adoro, repito.

Em um dos vários eventos literários que fiz, uma moça disse que gostaria de conversar comigo algo que ela ainda não havia dito a ninguém. Minutos depois, estávamos num lugar mais reservado onde ela me contava sua vida profissional. Anos atrás, no desespero de passar numa prova, ela conseguiu parte do gabarito e foi aprovada num processo seletivo. Agora, então, ela se mantinha num bom emprego e desempenhava muito bem seu papel na instituição, conseguindo até já ter sido promovida. Contudo, não importava o quanto ela pudesse ser ótima profissional e crescido com o próprio esforço, já que no começo ela foi facilitada. O resultado disso era uma depressão silenciosa; quando que ela tentava falar sobre isso com a família, chamavam-na de ingrata. Afinal, quem tem depressão ganhando um bom salário?

Sem julgar a moça, (quem não tem teto de vidro, pode soltar as pedras nos comentários. Os anônimos adoram e sempre fazem isso aqui), a situação me vem à cabeça sempre que estou para reclamar da vida. Os erros, as repetições, os fracassos e as correções são o que nos deixam seguros e constroem nossa autoestima. É justamente o fato de suportar as demoras da vida, e se aprimorar com elas, que torna o sucesso legítimo, é o que faz o andar de queixo erguido. Aí, fica melhor aproveitar o reconhecimento, a boa fase no trabalho e o dinheiro justo.

Há uma história bem famosa sobre isso. Um homem, vendo o esforço da borboleta para sair do casulo, o corta, achando que irá ajudá-la. Só que a força para voo é adquirida justamente no esforço de sair do casulo. Tentando ajudar, o homem limitou a capacidade de voo da borboleta.

Os voos virão, mas a distância deles será determinada agora, com o esforço particular para romper do casulo.

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Imagem: MorgueFile Free Photos

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