Para ser mais criativo

Muita gente acha que uma luz com as sacadas mais geniais desce sobre a cabeça de quem escreve. Claro, em alguns a criatividade é inata (embora alguns autores discordem disso), mas quase sempre há um grande esforço para manter a mente aberta e inspirada.

A minha maneira de criar é resultado de intuição, de observações e de algumas técnicas que aprendi ao longo da vida. Listo algumas dicas que podem ajudar um pouco.

Quebre seu preconceito

Rigidez, prejulgamento e arrogância, na minha modesta opinião, são as piores características para quem quer criar. Eu tenho as minhas crenças e a minha forma de viver, e me julgo segura delas para mergulhar em universos completamente distintos do meu. Posso não acreditar em vampiros, mas sei que me aventurar uma ficção bem construída pode me entreter e inspirar.

Ainda que você queira escrever romance gospel e tenha seu público claro, nada te impede de conhecer narrativas e histórias espíritas, por exemplo. Você pode escrever conto erótico e conhecer obras do Romantismo do século XIX e poesias. “Oh, sejamos pornográficos (docemente pornográficos)”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no poema Em Face Dos Últimos Acontecimentos. Você pode ser surpreendido em qualquer linha!

Preconceitos nos afastam da fonte das ideias, nos tolem e deixam os pensamentos uniformes. Além do mais, se você faz linha “meu jeito de viver é o único certo”, talvez a escola da vida ainda tenha muito que te ensinar. E eu vou querer ler suas obras apenas depois disso.

Leia

Essa dica é básica. E eu levo ao pé da letra desde criança (juro!). Por onde eu passo, sigo lendo outdoors, receitas, manifestos, obituários, letras de músicas, mitologia grega, pesquisas do IBGE, rituais da umbanda, gibis, manual de celular… Tudo!

Recomendo muito as obras de grandes pensadores e teóricos, especialmente os que conhecemos na faculdade. Sociologia, Filosofia, Ciências Políticas, Antropologia, Educação, História são áreas que não podemos descartar. Esteja certo que suas personagens e tramas ficarão bem alicerçadas com esses conhecimentos.

Treine inventar histórias

Esse é um dos meus exercícios favoritos. Viajo por completo e perco a noção do tempo imaginando o que uma pessoa faz quando desce do ônibus, por exemplo. Ou o que o comissário de bordo está pensando enquanto serve os passageiros. Quando escuto alguém ao telefone, invento respostas como se eu fosse a pessoa do outro lado da linha.

Quando eu era criança e não sabia falar inglês, eu adorava ouvir músicas internacionais e inventar uma tradução . Já fiz várias versões do Phil Collins e do Michael Jackson.

Quando ando pelas ruas, sempre me pergunto “e se eu morasse aqui, como seria minha vida?”, ou “como vive aquela pessoa que acabou de fechar a cortina?”. Assim vou criando pequenas histórias. Quando dou por mim, já tenho um livro!

Colocar-se no lugar de outra pessoa

Esse exercício também é bom para eliminar o preconceito e o egoísmo. Lifestyle à parte, isso ajuda muito a criar personagens e enxergar como eles. Quando eu era pequena e estava diante de uma decisão, sempre pensava “o que minha mãe diria?” ou “como meu pai faria isso?”. E também fazia de conta que eu era a She-ra, o MacGyver (gente, como ele resolvia qualquer coisa!), a Xuxa, a minha professora, a irmã mais velha de uma amiga… Claro, eu estava em formação e me inspirava nas pessoas que eu admirava. Hoje, faço isso para treinar ponto de vista, formas de falar, de agir… O escritor é um pouco ator, pois ele traduz em palavras os sentimentos. Já dizia Fernando Pessoa no poema Autopsicografia, “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”. Às vezes, dor da personagem criada por mim chega a doer de verdade, justamente por eu estar entregue ao ponto de vista dela.

Anote

Tenho pavor de pensar que alguém possa ouvir os áudios gravados no meu celular. Gravo muita coisa por ser mais rápido, já que nem sempre podemos parar para escrever. Sai muita coisa ridícula, mas ajuda muito quando a ideia é trabalhada no processo de escrita. Confiar na memória é furada.

 Relacione-se

O processo de escrita pode ser solitário e silencioso, mas o criativo não! Até quando estamos numa mesa de bar, podemos criar. Grandes ideias podem sair de uma frase em uma conversa informal.

E cerque-se de pessoas inteligentes. Nossa tendência é sempre nivelar, ficar igual a quem convivemos. Isso serve também para o mundo virtual. Siga os  que têm algo a dizer e podem te inspirar.

 Arrisque-se

Sair da rotina é bom para tirar o cérebro da zona de conforto. Experimente coisas novas, visite lugares onde nunca esteve, faça coisas diferentes… Seja curioso!

 Relaxe

Passar um pequeno período desligado e desapegado do texto é minha dica de ouro. Um tempo no vácuo, no vazio, rende muito. Eu sempre volto com a cabeça fresca, limpa e pronta para dar as melhores ideias. Aqui não vale estressar: vá dormir, meditar, rezar, ouvir suas músicas, curtir uma preguiça no sofá, malhar, caminhar…

Dicas de Livros

  • Ócio Criativo | Domenico De Masi
  • Roube como um artista | Austin Kleon
  • Um Chute na Rotina – Os Quatro Papéis Essenciais no Processo Criativo | Roger Von Oech
  • Um toc na cuca | Roger Von Oech

E você? Tem seus jeitinho de ter boas ideias?

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