Me sinto só?

Era só uma selfie despretensiosa na poltrona de um cinema numa tarde chuvosa de segunda-feira. (Antes que me julguem uma folgada, adianto que trabalho pacas, mas como autônoma, faço meus horários). Mesmo com alguns livros publicados e com uma caixa de entrada que pipoca mensagens, uma delas me chamou atenção na noite de ontem.

“Li uma publicação sua no Instagram e me emocionei. Não podia deixar de comentar. Aquela do cinema, no qual diz que está com a melhor companhia do universo: você mesma! Estou vivendo uma fase muito difícil. Separei e não está fácil. Frequento a psicóloga… E me sinto tão só. É o que mais tem doído. E quando vi você falar isso, pensei se algum dia vou conseguir ficar assim como você.”

Acho o máximo as pessoas se abrirem comigo por se identificarem com o que escrevo. Permitam-me, então, contar uma da minha vida. Andei conhecendo um cara que vivia num some-aparece beeeeem brochante. Como não tinha nada a perder, aproveitei o clima de mata-mata da Copa do Brasil, e depois de 30 minutos ao telefone (ligação feita por ele!), parti para o tudo ou nada. Quem pergunta quer ouvir, depois de muita enrolação escutei que sou fantástica blá blá blá, mas que eu não sou o que ele está procurando.

Desliguei o telefone, sentei no sofá e fui assistir ao jogo. Não gostei do que ouvi, claro, mas fiquei tranquila por saber o que ele está perdendo. Nada de afetações megalomaníacas, longe de me achar a mulher mais top de BH, mas eu simplesmente me conheço, sei que a pessoa que sou e, na boa, me curto pracaray. Acredito que mesmo com todos os meus defeitos, sou superlegal, linda e ótima companhia. Essa certeza me ajuda a entender que a vida tem seus desencontros, e eu os aceito sem choro, sem tiro, sem porrada e sem bomba. (Mas com alguns palavrões.)

Obviamente não estou comparando uma conversa com um dos caras que eu conheci nas últimas semanas com o término de uma relação verdadeira, tampouco achando que sou melhor que as outras pessoas. Apenas compartilho que depois de me perder por várias vezes, escolhi investir tudo no relacionamento que irá me acompanhar eternamente. Se está ruim, eu me encaro, assumo o que não gosto e me esforço para mudar – e para acolher aquilo que não dá para mexer. Aceito que não vou ganhar sempre, mas nutro admiração por mim ao saber que tentei dando meu melhor. Sei que nem sempre o cara vai dizer o que quero ouvir, mas mesmo assim saio da história feliz já que os desencontros da vida não apagam nem de longe os encontros inesquecíveis que vivi. E não diminuem a minha vontade de encontrar de novo e de novo e de novo, até que uma hora, talvez, o encontro seja definitivo.

Eu falo sozinha, rio de mim mesma, saio desacompanhada, passo horas perdida em meus próprios pensamentos, e sonho os melhores sonhos para minha própria vida. Se alguém quiser embarcar, ok. Caso queira descer do barco, esteja à vontade; eu continuarei inteira.

E o mais louco é que quando não temos medo de ser sós, parece não faltar companhia. Mantenho amizades incríveis há anos, conheço muita gente legal, tenho uma família enorme e algumas conversas promissoras no WhatsApp. (Ah, moleque, aqui a madeira come, a roleta gira e a fila anda! O sentido da vida é para frente!). E reconheço que quando estive em alguma fase dark, nem cachorro abandonado me seguia na rua.

À querida que me mandou a mensagem: não vou torcer para que seu luto acabe logo, mas rezo para que ele a faça descobrir a mulher única que você é. Que sua aparente solidão resulte em reconciliação com você mesma. Vou esperar sua selfie sozinha no escurinho do cinema. Juro, já posso até imaginar o seu sorriso.

 Clique aqui para ver a selfie que motivou a mensagem.

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